sábado, 2 de julho de 2011

Jovens desconhecem riscos para DSTs



MARIANA LENHARO


O amplo acesso à internet e a outros meios de comunicação não tem sido suficiente para informar os jovens de maneira adequada sobre os riscos relacionados às doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

Uma pesquisa feita pelo Instituto Kaplan, centro de estudo especializado em sexualidade, indica que 37% dos adolescentes paulistanos não são capazes de identificar quais são todas as situações de risco para contrair uma dessas doenças.

O levantamento foi feito com 1.141 jovens de 13 a 18 anos que visitaram a instalação Prevenindo a Gravidez Juvenil, no espaço Catavento Cultural e Educacional, em fevereiro deste ano. Os dados foram colhidos durante 63 oficinas nas quais os adolescentes são estimulados inicialmente a citar quais DSTs conhecem.

Em uma segunda etapa, percorrem um labirinto que funciona como uma espécie de ‘jogo da vida’, no qual se deparam com situações práticas relacionadas à gravidez e às DSTs. Uma das perguntas, por exemplo, é se deveriam ou não usar preservativo no sexo oral: 37% deles responderam que a medida é desnecessária.

Para a psicóloga e educadora sexual Camila Macedo, que está à frente da pesquisa e coordena a instalação Prevenindo a Gravidez Juvenil, muitos adolescentes até sabem que existem riscos, porém têm dificuldade de enxergar, na prática, a proximidade entre esses riscos e a vida deles.

“O jovem pensa que aquilo nunca vai acontecer com ele. Por isso, além de ter a informação, ele precisa estar convicto de que deve usar o preservativo”, diz Camila.

O ginecologista Hélio Sato, responsável pelo Serviço de Combate de Doenças Sexualmente Transmissíveis da disciplina de Ginecologia Geral da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), tem a mesma impressão.

“A principal barreira para evitar as infecções não é tanto a falta de informação, já que a maioria dos jovens tem esses conhecimentos, mas a aceitação e o reconhecimento de que eles também fazem parte do grupo de risco”, analisa.

De acordo com Sato, houve uma melhora na conscientização sobre os riscos de contrair DSTs, porém a pesquisa do Instituto Kaplan mostra que “muito trabalho ainda tem que ser feito em termos de divulgação.”

Dos 63 grupos que participaram do levantamento, apenas dois desconheciam a sigla DST e, dentre os que a conheciam, todos citaram a aids como exemplo. O número máximo de DSTs citadas por um grupo foi nove e as três doenças mais lembradas, depois da aids, foram gonorreia, sífilis e HPV.

No caso da aids, os números de infecção entre jovens têm chamada a atenção do Ministério da Saúde. Meninas são as principais vítimas da doença no Brasil entre os adolescentes de 13 a 19 anos. Nessa faixa etária, a cada oito meninos com HIV há dez garotas na mesma situação. Em todas as outras idades a doença prevalece entre os homens.

Os dados são do Boletim Epidemiológico 2010 do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais da Secretaria de Vigilância em Saúde.

Em relação ao uso da camisinha, a Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da
População Brasileira (PCAP) mostra que, na faixa etária dos 15 aos 24 anos, as meninas também estão mais vulneráveis ao HIV. Em todas as situações os meninos usam mais preservativo do que elas.

Na última relação sexual com um parceiro casual, por exemplo, o porcentual de uso da camisinha entre as meninas é de 49,7% ante 76,8% para os garotos. No caso de um relacionamento fixo, apenas 25,1% das garotas usam o preservativo com regularidade – entre
eles o índice é de 36,4%.



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