sábado, 11 de junho de 2011

Pacificadas há mais de um ano, comunidades ainda sofrem com esgoto e saúde inadequados








Falta de saneamento aumenta até risco de dengue, diz especialista


Os moradores das favelas pacificadas do Rio de Janeiro ainda vivem com a incerteza de que terão algum dia os mesmos serviços básicos - como água e esgoto - de quem mora em um bairro urbanizado.

A equipe do R7 percorreu três comunidades que receberam UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) há mais de um ano: Borel, na zona norte, Cidade de Deus, na zona oeste, e Pavão-Pavãozinho, na zona sul. 

A gestante Glenda Ferreira, de 22 anos, moradora do Borel, disse que ainda espera por alguma mudança positiva na estrutura da favela, já que não vê nenhuma diferença desde a saída do tráfico em junho de 2010.

- Só porque está pacificado, não significa que está tudo uma maravilha. Tem muita coisa para melhorar.


O esgoto é um problema em comum nas favelas visitadas. No Borel e no Pavão-Pavãozinho ele corre a céu aberto em praticamente toda comunidade, sendo um motivo de constante preocupação para a saúde dos moradores, principalmente das crianças. A médica Ligia Bahia, doutora em Saúde Pública, explica que doenças como diarréias, cólera e até dengue estão ligadas à ausência de saneamento e coleta de lixo.

- No Brasil, as populações expostas às precárias condições ambientais têm maior probabilidade de contraírem infecções parasitárias. Atualmente, a dengue é mais frequente nos locais em que o armazenamento da água e do lixo não é objeto de políticas públicas.

Segundo a Cedae (Companhia Estadual de Água e Esgoto), o esgotamento sanitário em comunidades é de responsabilidade da prefeitura. A presidente da Associação de Moradores do Pavão-Pavãozinho, Alzira Maria Barros de Amaral, afirma que a Secretaria Municipal de Conservação esteve no morro, mas não resolveu a questão.

- O esgoto está todo entupido. A Conservação (secretaria) já mexeu, mas dizem que as obras maiores serão apenas depois do alargamento das ruas.
Na Cidade de Deus, criada originalmente como um conjunto habitacional, a rede original não suporta mais a população que cresceu desordenadamente. A família de Ivanilda de Lima Soares é uma das que fazem parte desse aumento sem infraestrutura.

Atendimento médico

Com seis filhos e o marido desempregado, Ivanilda mora em um barraco de madeira no Sítio
da Amizade, um terreno invadido junto à Cidade de Deus. Segundo ela, o esgoto é um buraco que cada um cava, a água só chega de noite, e a luz é garantida por uma ordem judicial que determinou que as 418 famílias que ainda moram lá não ficassem no escuro. Como mãe, sua maior preocupação é com a saúde das crianças.

http://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/noticias/pacificadas-ha-mais-de-um-ano-comunidades-ainda-sofrem-com-esgoto-e-saude-inadequados-20110611.html

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